sábado, 27 de dezembro de 2014

Quando Lisboa Tremeu

















Autor: Domingos Amaral
Editora: Casa das Letras
Páginas: 487
ISBN: 9789724619866
 
Sinopse:
Lisboa, 1 de Novembro de 1755. A manhã nasce calma na cidade, mas na prisão da Inquisição, no Rossio, irmã Margarida, uma jovem freira condenada a morrer na fogueira, tenta enforcar-se na sua cela. Na sua casa em Santa Catarina, Hugh Gold, um capitão inglês, observa o rio e sonha com os seus tempos de marinheiro. Na Igreja de São Vicente de Fora, antes da missa começar, um rapaz zanga-se com sua mãe porque quer voltar a casa para ir buscar a sua irmã gémea. Em Belém, um ajudante de escrivão assiste à missa, na presença do Rei D. José. E, no Limoeiro, o pirata Santamaria envolve-se numa luta feroz com um gangue de desertores espanhóis.
De repente, às nove e meia da manhã, a cidade começa a tremer. Com uma violência nunca vista, a terra esventra-se, as casa caem, os tectos das igrejas abatem, e o caos gera-se, matando milhares. Nas horas seguintes, uma onda gigante submerge o terreiro do Paço e durante vários dias incêndios colossais vão atemorizar a capital do reino. Perdidos e atordoados, os sobreviventes andam pelas ruas, à procura dos seus destinos. Enquanto Sebastião José de Carvalho e Melo tenta reorganizar a cidade, um pirata e uma freira tentam fugir da justiça, um inglês tenta encontrar o seu dinheiro e um rapaz de doze anos tenta encontrar a sua irmã gémea, soterrada nos escombros. 
 
Opinião:
O Terramoto de Lisboa de 1755, é um acontecimento histórico que desde muito novo me suscita um enorme interesse. Assim, um livro que se foque neste acontecimento, à partida, é-me apelativo tendo em conta o seu conteúdo.
 
"Quando Lisboa Tremeu" foi um livro, de uma facilidade considerável, no que toca ao enveredar-me no seu argumento. A forma como somos introduzidos na sua leitura, a sua divisão em capítulos curtos e a descrição dos acontecimentos ao mesmo tempo que nos são apresentadas as várias personagens que iremos acompanhar ao longo das suas quase 500 páginas agradou-me, bem como o encadeamento de vistas apresentadas pelas várias personagens de determinados acontecimentos.

O narrador que conta a sua versão e o que os restantes personagens lhe forma contanto, fora algumas irrealidades, dar uma cadência engraçada à narrativa.
 
No fim de tudo pareceu-me um autor com capacidade de escrever bons livros, mas necessita de maturar, porque este poderia ser um bom livro mas na minha opinião é apenas mediano.

Como disse, a história é extremamente interessante, o discurso fluído, os diálogos sempre presentes e bem encadeados, mas é um livro que me fez lembrar quando li o "Código da Vinci", foi um livro que me interessou muito no início, mas que me foi fartando ao longo do seu desenrolar. E porquê?

Primeiro porque é extremamente longo, longo porque começa a arrastar-se na narrativa e na segunda metade torna-se excessivamente extenso sem avançar de forma relevante na história.

Depois porque tem alguns momentos perfeitamente descabidos, eu compreendo que o autor pretenda colocar as personagens nos momentos mais relevantes dos acontecimentos do Terramoto de 1755, mas há alguns em que não dá para colocar um protagonista mesmo no centro do acontecimento e por um passe de mágica fazê-los sobreviver e ficar a contar a história. Refiro-me especialmente ao tsunami.

Outro momento que me fez abanar a cabeça de incredulidade foi a forma como Santamaria, o personagem principal, expulsa "o mal que está dentro dele". É de ficar sem palavras de tão patético. O típico, "e pronto, já está...".

E por fim, se por um lado a narrativa ao ser feita com um enorme ênfase na oralidade, o que cria a tal fluidez na leitura, tem também um defeito que se torna irritante e tira mesmo seriedade à obra. Refiro-me aqui às variações de sotaque das seguintes personagens:

Gold o comerciante inglês: "Jesus... You precisa de any coisa?" e  "Hey man, good luck! I hope cambada não comes here."

Alice a freira lésbica: "Bais demorar dias até cunseguir tirar esta porcaria toda e descovrir a cabe".

Muhammed o pirata árabe que gosta de rapazinhos: "Devíamos ir rio, ir fugir."

E assim ao longo de quase 500 páginas, para além de dificultar a leitura e se tornar exasperante, especialmente o inglês por estar mal concebido duplamente. Primeiro porque às vezes diz umas palavras em português que na frase seguinte já não as é capaz de dizer, o que parece perfeitamente aleatório, e porque com tanto inglês misturado duvido que houvesse gente em Lisboa nessa época que percebesse alguma coisa do que ele dizia.

Em resumo, o autor tem potencial, o argumento é interessante e a base da forma como nos é exposto está bem conseguido, mas peca por ter algumas discrepâncias e aspectos que desajudam a narrativa. Não é mau, mas tinha tudo para ser muito melhor.

Nota (escala 1 a 10): 6
TheKhan

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

24 Horas Sobre Pressão

















Título Original: 24 Heures Sous Influence
Autor: Jean & Philippe Graton
Editora: Asa/Público
Páginas: 48
Colecção: Michel Vaillant nº70
ISBN: 9789892326085
 

Sinopse:
As 24 Horas de Le Mans vão novamente disputar-se muito em breve. Os Audi Diesel são reis e senhores da prova há já vários anos, e Michel Vaillant e Steve Warson organizam uma equipa de choque para os destronar. A três dias da prova, porém, Yves Douléac, um dos seus pilotos de confiança, sofre um acidente e tem de ser substituído. A escolha recai sobre Dylan Montusset, que é um novato promissor. Jean-Pierre empenha-se também neste desafio e espera poder acrescentar mais uma vitória ao prestigiado palmarés da escuderia Vaillante.
 
Opinião:
24 Horas Sobre Pressão é o septuagésimo e último álbum de Michel Vaillant que tem o seu criador, Jean Graton como autor.

Era bom que fechasse o ciclo em grande estilo, mas não fecha. É um daqueles livros que nem é bom nem mau. Lê-se...
 
 

Essencialmente tem demasiados pormenores apatetados que um Jean Graton dos anos 70 ou 80 não deixaria passar. A seriedade da série nessa altura, para mim os anos áureos, não se verifica nestas obras finais e é uma pena.
 
 
Mesmo o Vaillante presente neste álbum parece demasiado irreal, a sua entrada de cockpit é absurda e as formas são estranhas ao ponto da viatura parecer fora de contexto. Longe vão os Vaillante futuristas mas realistas que faziam os leitores sonharem.
 
Tudo tem o seu tempo, e quem não sentiu aquela ambiguidade, em algo que se gosta muito, de desejar que essa coisa não acabe devido ao que nos trouxe no passado, mas que por outro lado o presente contraria esse desejo e nos leva a pensar que "assim não vale a pena"? Mas se calhar sou só eu que estou armado em velho.
 
Quanto à história em si, Yves Douleac lesiona-se, o que provoca Jean Pierre a chamar-lhe a ele e a Michel uma parelha de burros. Assim, e à última hora, é necessário arranjar novo piloto para fazer equipa com Michel e Steve nas 24h de Le Mans. A escolha recai numa jovem esperança Francesa de 19 anos de idade, Dylan Montusset.
 
Dylan não vem sozinho. Não sei se levemente inspirado em Lewis Hamilton, o pai do jovem Francês está sempre presente. O problema é que essa presença é totalmente negativa pois o paizinho tem a sua vida financeira e profissional de rastos e o filho é o meio que usa para tentar recuperar a sua vida, claro que de forma muito pouco honesta.

Tudo somado e resumindo, tem pormenores interessantes e outros perfeitamente escusados. Lê-se mas não convence muito.

E assim fechamos as criticas às obras de Michel Vaillant editadas pela Asa e pelo Público. No fim fica um agradecimento aos editores por nos permitirem ter alguns inéditos em Português.

 Nota (escala 1 a 10): 6
TheKhan
 
 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Prémios Darwin - A Evolução em Acção

















Autor: Wendy Northcutt
Editora: Replicação
Páginas: 215
ISBN: 9789727312665

Sinopse:
Os Prémios Darwin são homenagens póstumas a indivíduos que por terem cometido actos de uma estupidez imensa se auto-excluíram da nossa espécie ou ficaram impedidos de passar os seus genes a novas gerações, o que comprovadamente em nada as beneficiaria.
A ideia partiu de uma jovem estudante de biologia molecular, Wendy Northcutt: "O princípio fundamental dos Prémios Darwin consiste na celebração da auto-exclusão da raça humana do material geneticamente incompetente. Assim, o potencial vencedor deve morrer ou, pelo menos, ficar incapaz de se reproduzir." Partindo deste princípio e firmemente ancorado à teoria evolucionista de Darwin, Northcutt começou a pesquisar, a recolher factos reais de pessoas que haviam morrido por pura estupidez e criou um site onde são anualmente divulgados os prémios atribuídos. Depois vieram os livros... 


Opinião:
Mantendo a coerência de comentar todo o livro que vamos lendo, deixo aqui uma pequena menção a este livro que fui pegando, para ir lendo algumas páginas, durante os últimos 5 meses.
 
Este é um livro que deve ser lido espaçadamente aliás, como é indicado no aviso dado a quem ler as suas histórias. São histórias que devido à tamanha estupidez dos seus intervenientes têm graça quando lido aos poucos, mas que quando consumido em catadupa criam bocejos.

"A Evolução em Acção" é um dos 6 livros escritos por Wendy Northcutt, mas é o único editado em Portugal. A autora é a responsável pelo site Darwin Awards que merece certamente uma vista de olhos, e do qual compilou alguns das mais interessantes histórias em livro.

A estupidez do ser humano é inesgotável, e neste livro entre relatos reais e mitos urbanos, temos casos verdadeiramente surreais e hilariantes. Sim, isto é humor negro no seu mais puro estado.

Para os adeptos da série "1000 formas de morrer" do Canal Odisseia, é um livro a ler. Na verdade esta série não é mais do que ficcionar estas histórias para um formato televisivo.

Aqui encontramos de tudo, gente que acha que um isqueiro aceso é o ideal para ver se um deposito de combustível tem gasolina, o tipo que decidiu jogar à roleta russa com uma pistola semi-automática ou o outro que no Zoo resolveu colocar uma coroa de flores no pescoço de um tigre. O senso comum não impera nesta gente, e o resultado da sua estupidez ou se preferirem imprudência ou mesmo impulsividade, tem sempre resultados desastrosos, acabando sempre na morte ou na impossibilidade de reprodução dos intervenientes.

Humor negro ou morbidez, a verdade é que estas histórias, sejam reais ou lendas entretêm, mas claro que não produzem nenhuma obra prima.

Nota (escala 1 a 10): 5
TheKhan

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

O Segredo de Cibele

 
 
Autor: Juliet Marillier
Editora: Bertrand Editora
Páginas: 368
ISBN: 9789722518109

Sinopse:
Paula viaja até Istambul com o seu pai em busca de um artefacto ancestral. O desejo que Paula tinha em descobrir o reino mágico onde vivera com as suas irmãs foi substituído por objectivos mais práticos: tornar-se comerciante de livros e manuscritos. No entanto, pistas e rumores acabam por convencê-la de que se encontra numa demanda fantástica e que a pessoa responsável por lhe ir dando essas pequenas suspeitas seja a sua irmã desaparecida, Tati. Puzzles, enigmas, testes de força e lealdade, lições sobre o amor, confiança e conhecimento - tudo isso surgirá na viagem de Paula, uma viagem onde o insucesso tem como preço a morte.

Opinião:
O Segredo de Cibele é a continuação de Danças na Floresta. Neste livro, Juliet conta-nos a história de Paula, uma das cinco irmãs do primeiro livro. Paula viaja até Istambul com o seu pai em busca de A Dádiva de Cibele, um artefacto antigo e misterioso, que é desejado por muitas pessoas, e algumas são capazes de tudo para a obter.

Durante a sua permanência em Istambul, Paula conhece o sério e grande Stoyan que se torna o seu guarda-costas, e o charmoso pirata português Duarte da Costa Aguiar. Devo dizer que fiquei agradavelmente surpreendida por tanta referência a Portugal. Pelos vistos, a Juliet gostou bastante do nosso país e dos leitores portugueses, para escrever um livro com personagens portuguesas. Achei simplesmente fantástico.

Paula, vê-se assim envolvida com Stoyan e Duarte, numa demanda em busca do segredo de Cibele, onde terão de enfrentar muitos perigos e dificuldades.

A escrita, como sempre, é bastante fluída. O enredo envolve-nos num ritmo interessante, não muito rápido nem muito lento. Digamos que no início é um pouco mais lento, porque funciona como uma introdução ao mundo dos mercadores e da cultura na Turquia. Juliet brinda-nos com descrições de Istambul fabulosas, fazendo-nos imaginar e até sentir os cheiros e a cor da cidade. Mas quando finalmente começa a aventura propriamente dita, é um desenrolar muito rápido até ao fim.

As personagens são fabulosas. Paula conquistou-me desde o início. Calma e inteligente, e bastante independente para a época, demonstra um carácter corajoso e correcto. Aprende com os erros, não fosse ela uma "erudita". Stoyan, um homem atormentado pelo passado, mas forte, protector e de bom coração, demonstra que nem sempre se é sábio estudando nos livros, mas aprende-se muito com a experiência da vida. E finalmente Duarte. Duarte é a minha personagem preferida. Não por ser português, mas porque trouxe ao enredo, com o seu charme de menino mal comportado, de sedutor e ao mesmo tempo brincalhão, uma dose de vivacidade e perigo. As conversas entre Paula e Duarte são uma das melhores partes do livro. Confesso que neste triângulo amoroso, era óbvio o desfecho que a autora lhe deu, e a meu ver o mais certo.

Os elementos fantásticos desta história são diferentes daquilo que estamos habituados com Juliet, mas bastante interessantes. O fim é um pouco previsível, mas foi um livro que me deu imenso prazer ler.  Na minha opinião, este livro não é tão drigido a jovens adultos como o Danças na Floresta. É um livro com uma história interessante de onde tiramos como sempre, algumas lições para a vida, com um final feliz que nos aquece a alma. Juliet Marillier é um porto seguro. Os livros dela nunca desiludem.

Nota (escala de 1 a 10): 7,5
IrishGirl

sábado, 6 de dezembro de 2014

A Estrada do Tabaco

















Autor: Erskine Caldwell
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 199
ISBN: 9789896376697                          
 
Sinopse:
Durante a Grande Depressão americana, a família Lester não sabe como sobreviver à miséria que se avizinha. Residem e gerem os territórios rurais da Geórgia, cultivados com tabaco e algodão, mas já nem isso os salva. Debilitados pela pobreza ao ponto de atingirem um estado de ignorância e egoísmo cruel, os Lesters preocupam-se com a fome, os apetites sexuais que os devoram e o medo de que a hierarquia social os empurre para uma camada ainda mais desfavorecida.

A pobreza, o racismo e a bestialidade dos homens são aqui postas a nu, despindo a sociedade americana dos anos 20 com crueza e violência, numa tragicomédia de mestre. A Estrada do Tabaco é um dos grandes clássicos americanos de Erskine Caldwell.

 

Opinião:

"A Estrada do Tabaco" é um livro sobre a pobreza, a económica e a de espírito. De ignorância e egoísmo, racismo e brutalidade. Uma tragicomédia que atinge o leitor nas suas emoções, que deverá sentir-se preparado para ficar chocado com a sua leitura.
 
É um livro que à primeira vista não seria uma escolha de leitura imediata, provavelmente por não ser um tema que me apelaria de forma significativa, mas que me prendeu do princípio ao fim, ao ponto de o ler com uma cadência que há muito não me acontecia.

A sua leitura é fácil e complexa ao mesmo tempo. A escrita é facilmente acompanhável, o livro é pequeno e de capítulos relativamente curtos, mas torna-se complexo pelo tema em si e pela brutalidade com que o autor expõe as suas personagens. Mas é extremamente directo, o que nos leva sempre a procurar o que vem a seguir, quebrando apenas o ritmo quando o personagem principal, Jeeter, utiliza o seu discurso altamente repetitivo, tipo lengalenga, mas que não é mais do que o autor a caracterizar-nos a personagem.
 
Esta obra apresenta-nos a família Lester, um conjunto de seres humanos patéticos, preguiçosos e incrivelmente egoístas, seres esses que sinceramente muito pouco se distinguem do animal irracional. São personagens que nos conseguem constantemente chocar com tanta estupidez, mas por mais que os seus actos nos pareçam surreais, o que realmente nos mexe com as emoções é que eles "soam" tão reais. E não é só na sociedade Americana dos anos 20, pois nos dias de hoje, por este mundo fora existem tantos "Lesters".
 
Será que este livro é de rir até às lágrimas como diz o "The Daily Beast", não o é, de maneira nenhuma, a não ser que o leitor seja de uma insensibilidade gritante. Na verdade há alguns momentos que nos consegue tirar um sorriso mas não mais do que isso, de tão trágico que realmente é.

É um clássico que merece ser lido, e que apesar de ter sido escrito há mais de 80 anos ainda hoje consegue se manter actual. Pelo menos comigo o autor foi bem sucedido, retirou-me da minha zona de conforto, provocou-me e deixou-me com o livro na memória. É uma obra de uma enorme qualidade mas da qual não tiramos prazer da sua leitura, fascina mas não agrada. Para o ler e tirar partido da experiência de leitura é preciso estar preparado para não encontrar beleza e felicidade, apenas a pior imagem possível do ser humano, é o grotesco no seu melhor. Bom trabalho Erskine Caldwell.

Nota (escala 1 a 10): 7,5
TheKhan


 

domingo, 30 de novembro de 2014

Agincourt

















Autor: Bernard Cornwell
Editora: Planeta Editora
Páginas: 372
ISBN: 9789727312665

Sinopse:
Reza a lenda que foi na batalha de Agincourt, em 1415, que surgiu o símbolo do V da Vitória, feito com os dedos indicador e médio. Durante o combate, os franceses ameaçaram cortar os dois dedos dos arqueiros ingleses para que os rivais não pudessem voltar a usar os arcos. Após derrotarem o exército francês, três vezes maior, os ingleses deram a resposta, erguendo os seus dedos intactos.

Agincourt é a história de Nicholas Hook, um arqueiro que começa o livro alistando-se na guarnição de Soissons, uma cidade cujos santos padroeiros eram São Crispim e São Crispiniano. O que aconteceu em Soissons chocou toda a Cristandade, mas no ano seguinte, Hook faz parte daquele pequeno exército encurralado em Agincourt. Numa das mais dramáticas vitórias da História, a Batalha de Agincourt, imortalizada por Shakespeare em Henrique V, as deficientemente armadas forças de Inglaterra defrontaram e impuseram uma derrota ao muito superior exército francês, decidido a conservar a coroa longe das mãos inglesas.
Aqui, Bernard Cornwell ressuscita a lenda da batalha e do «bando dos irmãos» que combateram no dia 25 de Outubro de 1415.

Opinião:
Agincourt traz-nos uma visão diferente de uma batalha da Idade Média, neste caso da famosa Batalha de Azincourt. A variante está no seguirmos a história pela visão de um arqueiro. Os arqueiros normalmente são divisões de combate de retaguarda, o seu papel é de infligir estragos no inimigo à distância com as suas letais setas, não estando envolvidos no calor da batalha, são assim de uma forma geral esquecidos.
 
Mas os arqueiros são parte, mais do que integrante, mesmo preponderante no desenrolar desta famosa batalha, da Guerra dos Cem Anos, que se tornou uma lenda.
 
A lenda nasce após Henrique V, o Rei Inglês, invadir França no intuito de reclamar a coroa de França que seria, segundo ele, sua por direito. Com um exército de 12.000 homens, a campanha começou com a conquista da cidade portuária de Harfleur. Mas o cerco demorou demasiado tempo e custou ao exército Inglês demasiadas baixas, não só pelos combates como pelo efeito devastador da disenteria.

Foi com um exército demasiado fragilizado e de número reduzido que Henrique V, na impossibilidade de marchar até Paris, optou na tentativa de humilhação dos Franceses, marchar durante vários dias até Calais e só aí embarcar de volta para Inglaterra. Mas os Franceses tinham juntado um exército de números surpreendentes para travar o exército Inglês, na travessia do Rio Somme.

Após manobras, os dois exércitos encontraram-se perto da Vila de Azincourt, conta-se que Henrique V dispunha de 8.500 homens, dos quais 7.000 seriam arqueiros, enquanto que os Franceses seriam entre 30.000 a 50.000. Os números serão sempre discutíveis, mas a verdade é que no final o exército Inglês, em menor número, infligiu uma pesadíssima derrota aos Franceses e prosseguiu a sua viagem até Calais.

São estes dois acontecimentos, o Cerco de Harfleur e a Batalha de Azincourt que Cornwell nos relata, de uma forma romanceada, neste livro. E fá-lo de uma forma agradável e cativante, para os amantes de Romances Históricos este é um livro que deverá gerar interesse.
 
Um pormenor relevante deste livro, para além do foco principal nos arqueiros, é que Cornwell estende largamente o factor religioso nesta obra, factor que não me tenho apercebido de ter grande relevância em outras obras, que já li no passado mas que aqui, devido à história real, primeiro por Henrique V acreditar que Deus estava com os Ingleses e que o considerava o herdeiro legítimo, bem como a "influência" de São Crispim e São Crispiano, desrespeitados pelos Franceses em Soissons, por a batalha ter sido realizada no dia de São Crispim, no resultado da batalha. Estes aspectos religiosos não me deixam muito à vontade, mas considerando a sua relevância na lenda, são de fácil aceitação.
 
As batalhas são, como de esperar, apresentadas pelo autor com uma enorme mestria, mas deixo já em jeito de aviso que neste livro são particularmente brutais, a descrição da forma como os soldados eram mortos é por vezes incómoda.
 
Claro que não seria Cornwell se não existisse um romance pelo meio, romance esse que acaba por dar alguma estrutura à história secundária e encaixa-se melhor na narrativa que em outros livros do autor.
 
Em resumo uma leitura agradável, de um género que me agrada particularmente e que tem a vantagem de ser um livro isolado, onde não esperamos continuação, o que por vezes, é uma lufada de ar fresco de forma a contrariar a enorme quantidade de série,s que quem lê se vê cada vez mais envolvido.
 
Nota (escala 1 a 10): 7,5
TheKhan

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Fora de Pista no Inferno

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Título Original: Hors-piste en Enfer
Autor: Jean & Philippe Graton
Editora: Asa/Público
Páginas: 48
Colecção: Michel Vaillant nº69
ISBN: 9789892326078
 

Sinopse:
Corre-se o Rali do Oriente e Michel Vaillant disputa a vitória com Jean-Louis Schlesser, da Ford. O desafio é enorme, já que o vencedor será sagrado Campeão do Mundo de Todo-o-Terreno.
Durante uma etapa turca da prova, Michel Vaillant e o seu co-piloto, Steve Warson, quase atropelam uma criança que parece ter-se propositadamente colocado na frente do carro.

Que diabo estaria a fazer uma criança sozinha no meio da estrada? Apesar do que está em jogo, Michel e Steve decidem desvendar este mistério custe o que custar!


 
Opinião: 
Em "Fora de Pista no Inferno", a Vaillant decide aplicar o revolucionário motor a hidrogénio à competição automóvel. Assim o argumento para um público generalista, ao gosto de Phillipe Graton mantem-se incluído nesta história, mas desta vez com um acrescento, um outro assunto de grande relevo.
 
 
Michel e Steve fazem parceria ao volante de um fantástico buggy, equipado com uma motorização a hidrogénio e discutem no Rali do Oriente com o Buggy Ford de Jean-Louis Schelesser e o VW Touareg de Bruno Saby, o título de Campeão do Mundo de Todo-o-Terreno.
 
Título esse de vital importância para a Vaillante de forma a justificar o investimento e para a dinamização do motor a hidrogénio, graças à velha máxima de carro que ganha no domingo é carro que se vende na segunda-feira.
 
Mas quando os protagonistas pensavam que teriam uma prova de pura competição, eis que não quando uma criança lhes atravessa no caminho.
 
E é esta criança que vem introduzir mais um assunto de interesse geral, o trabalho infantil. Trabalho esse que no desenvolvimento do livro, se vêm a verificar que é aplicado à produção de componentes automóvel, motivando assim ainda mais os protagonistas a aventurarem-se a desvendar este mistério e a apanhar os culpados deste crime.
 
A grande diferença deste livro para os anteriores é que os autores conseguem realizar a combinação entre o tema automóvel com os restantes assuntos de uma forma mais agradável e natural.
 
A apresentação da competição automóvel está realista como se espera desta série , e o tema do trabalho infantil é introduzido de forma suave mas marcante e ambos os assuntos despertam o interesse e a vontade de avançar na história ao leitor.
 
Já o tinha considerado quando o li em Francês e confirmei agora em Português que é das obras assinadas pelo pai e filho Graton que mais me agradaram. É um bom "Michel Vaillant" interessante e equilibrado.
 
 
Nota (escala 1 a 10): 7
TheKhan
 

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Sangue Oculto


















Autor: Charlaine Harris
Editora: Saída de Emergência
Nº de Páginas: 272
ISBN: 9789896371791
Colecção: Saga Sangue Fresco - Livro nº4

Sinopse:
Sookie terminou a sua relação com Bill após considerar que ele a traiu. Um dia, quando sai do trabalho para casa, depara-se com um vampiro nu e desorientado. Rapidamente ela percebe que ele não tem a mínima ideia de quem é nem para onde vai, mas Sookie sabe: ele é Eric e parece tão assustador e sexy - e morto - como no dia em que o conheceu. Mas agora como Eric está com amnésia, torna-se doce e vulnerável, e necessita da ajuda de Sookie - porque seja quem for que lhe tirou a memória, agora quer tirar-lhe a vida. A investigação de Sookie leva-a a uma batalha perigosa entre bruxas, vampiros e lobisomens. Mas pode existir um perigo ou ameaça ainda maior - ao coração de Sookie, porque estando Eric mais gentil e mais doce... é muito difícil resistir.

Opinião:
Sangue Oculto é o 4º livro da Saga do Sangue Fresco de Charlaine Harris. Apesar de se poderem ler individualmente, aconselho a leitura seguindo a numeração dos livros. 

Neste volume, a autora conta-nos mais uma aventura de Sookie Stackhouse. Triste por ter acabado o seu namoro com o vampiro Bill, Sookie só quer paz e sossego, e tenta viver a sua vida o mais normalmente possível. Considerando que Sookie é telepata e ouve os pensamentos das pessoas, torna-se muito difícil. Mais dificil ainda, quando encontra à noite na estrada um vampiro, que ela conhece bem, nu e desorientado. 

Eric Northman parece não se lembrar de nada e Sookie resolve ajudá-lo. Sookie descobre que Eric foi enfeitiçado por um grupo de bruxas que invadiu Shreveport, e concorda em escondê-lo na sua casa. Entretanto, o seu irmão Jason desaparece e Sookie desconfia que os dois aontecimentos estão relacionados. Começa assim mais uma aventura no mundo dos seres sobrenaturais.

Neste livro, a história é centrada em Sookie e Eric, que normalmente, é um vampiro misterioso e muito perigoso. Mas neste volume, aparece muito meigo e preocupado, gerando umas cenas bastante cómicas e engraçadas. Começa a ser uma das minhas personagens favoritas.

Com uma escrita fluída e leve, Charlaine Harris apresenta-nos mais uma história cheia de humor, aventura e mistério, com um enredo muito envolvente e dinâmico. É um livro que prende e só largamos quando chegamos ao fim. Altamente viciante.

Nota (escala de 1 a 10): 6,5
IrishGirl

sábado, 8 de novembro de 2014

Testemunha Muda

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Autor: Agatha Christie
Editora: Edições ASA
Páginas: 254
ISBN: 9789724148762                         
Série: As Obras de Agatha Christie nº 42
Título Alternativo: Poirot Perde uma Cliente
 
Sinopse:
Quando Poirot recebe uma carta enigmática de uma mulher entretanto já falecida, a sua curiosidade natural impele-o a investigar o caso. Apesar de a morte ter parecido natural a todos, o detective não acredita que a mulher tenha sido vítima de um acidente e continua teimosamente a defender a tese do assassinato. Mas quem teria motivos para cometer tal acto… e capacidade de fazer com que a morte parecesse natural?

Opinião:
Ler Agatha Christie é como navegarmos para um porto seguro. Dentro da sua vasta obra, há livros melhores que outros, mas de uma forma geral são sempre uma leitura agradável.
 
Testemunha Muda é um dos livros mais directos que li desta autora. A história é contada sem grandes rodeios e o caso policial resolvido de uma forma bastante linear.
 
Claro que escrever uma crítica a um livro de Agatha Christie nunca é fácil, porque falar do livro, é abrir uma porta sobre o mistério, e sem querer podemos escorregar e transmitir alguma informação a mais, os vulgares "spoilers".
 
Nesta obra, somos guiados pelo fiel Capitão Arthur Hastings que nos serve de narrador. Hastings é, para quem não está familiarizado com a personagem, o Dr. Watson de Hercule Poirot. Curiosamente nesta obra, Poirot e Hastings em certo momento tratam-se mesmo por Holmes e Watson.
 
Hastings é particularmente crédulo e por vezes irritante na sua narrativa, ao ser tão pouco visionário e teimoso até, sendo demasiado incapaz de acompanhar o "andamento" do genial Poirot, mesmo em coisas que para o próprio leitor se tornam óbvias.
 
Christie utiliza Hastings como narrador da maioria dos pequenos contos policiais de Poirot, mas apenas em 8 dos seus romances sendo "Testemunha Muda" o último antes daquele que será o livro com o derradeiro caso de Hercule Poirot. Em termos de datas de publicação existe um hiato grande, que vai de 1937 a 1975 entre estas duas obras.
 
Quanto ao caso em si, o livro começa com a seguinte frase "Miss Arundell morreu no dia 1 de Maio." o que me facilita bastante a critica, porque ao indicar que Poirot ao longo do livro investiga a morte de Emily Arundell não estou a revelar factos que não sejam óbvios.
 
A variante neste caso. é que quando Poirot se envolve na investigação já passaram 2 meses da morte de Miss Arundell, morte essa que foi testemunhada pelo médico como sendo natural. Então o que leva o famoso detective a envolver-se neste caso? Uma misteriosa carta que lhe é endereçada, escrita pela vítima, mas que só lhe chega às mãos tardiamente.
 
Poirot encontra um testamento com um beneficiário surpreendente e um bando de familiares que estariam desertos de deitar a mão aos bens da falecida. Temos assim ingredientes suficientes para um caso a investigar, sendo que será que Miss Arundell morreu mesmo de causas naturais? Será que há um assassino e que estando à solta poderá provocar mais vítimas?
 
Como a morte de Miss Arundell já faz parte do passado, e como apenas Poirot suspeita da possibilidade de crime, o ritmo deste livro é de alguma forma diferente de outras obras de Christie, a sua narrativa é mais calma e pausada, não existindo aquele efeito de urgência de alguns livros. Isto faz com que tenhamos uma leitura mais descontraída, mas sempre interessada no desenrolar do caso.
 


Um dos elementos mais interessantes da obra é a "Testemunha Muda", Bob o cão de Miss Arundell, "interpretado" pelo cão da foto acima, na adaptação da obra para filme. Alguns dos momentos mais engraçados do livro dão-se quando Hastings o nosso narrador dá voz a Bob nas suas interações com os dois personagens principais do livro.
 
Em suma, um livro interessante, com um caso leve de Poirot, mas sempre envolvente.
 
Nota (escala 1 a 10): 7,5
TheKhan
 

domingo, 2 de novembro de 2014

Uma Aventura na China

















Título Original: China Moon
Autor: Jean & Philippe Graton
Editora: Asa/Público
Páginas: 48
Colecção: Michel Vaillant nº68
ISBN: 9789892326061
 

Sinopse:
Pela primeira vez na História, a China vai organizar um Grande Prémio. A prova terá lugar em Xangai e Michel Vaillant prepara-se para participar.O seu irmão Jean-Pierre, por seu turno, decide aproveitar a ocasião para apresentar o modelo Vaillante que pode salvar a China do flagelo da poluição: o XING-QIU, o primeiro carro movido a hidrogénio.
Michel deverá apresentar o inovador modelo frente às câmaras de todo o mundo logo após o Grande Prémio. Mas, na véspera da competição, o protótipo é roubado…
 
Opinião: 
 
"Uma Aventura na China" é mais um dos livros em que se nota a mão de Philippe Graton. Philippe procura argumentos mais genéricos, ao contrário de Jean que se focava essencialmente no automobilismo. Esta é uma das obras em que Philippe usa como tema principal a salvação do meio ambiente.
 
 
 
Inserido no meio da primeira realização do Grande Prémio da China de Fórmula 1 está a apresentação de uma viatura revolucionária movida a hidrogénio.
 
A divulgação desta viatura reveste-se de uma enorme importância, por utilizar uma energia "limpa", no momento em que o mercado automóvel na China está para "explodir". O aumento brutal de viaturas de locomoção por combustíveis fósseis pode ser um problema grave para o planeta.
 
Claro que esta viatura é um Vaillante, que procura estar assim um passo à frente da concorrência e ter uma posição de relevo no gigantesco mercado chinês.
 
E sem drama não há história, por isso o protótipo desaparece na véspera do Grande Prémio, obrigando Michel a uma aventura pelas ruas de Xangai com o intuíto de recuperar a viatura.
 
A aventura em si não é propriamente entusiasmante e o leitor pouco se envolve na trama. O argumento é fraco. Um pouco ao nível dos argumentos desta nova série. Philippe não é Jean e isso é uma pena.
 
Onde se nota mais essa diferença, é no desenrolar do próprio Grande Prémio, que é tratado de forma leviana e irrealista até. Um cansado Michel, parece sobre-humano numa prova que se vê a partir das boxes e com um carro que dificilmente chegaria a um pódio numa situação normal, a fazer um resultado milagroso. Jean Graton gastaria mais tempo na prova em si e dar-nos-ia algo de muito mais realista e emocionante.
 
 
Momento déjà vu do livro, Michel entra num barco ilegalmente e é atirado ao mar sem sentidos. Muito ao estilo "O Regresso de Steve Warson" mas sem grande lógica.
 
Como curiosidade temos a menção à participação de Tiago Monteiro no corrida que é premiado com a honrosa classificação de piloto mais lento em pista.
 
Nota (escala 1 a 10): 6
TheKhan

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O Quinto Mandamento

















Autor: Barry Eisler
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 306
ISBN: 9789896373047                          
SérieJohn Rain nº 2
 
Sinopse:
John Rain só quer desaparecer para sempre. Mas um antigo némesis no FBI japonês quer que ele lhe faça um último favor: eliminar um assassino que mata sem remorsos e usa métodos semelhantes aos de Rain. Há demasiadas coisas em jogo - inclusive a vida dos poucos amigos que Rain tem e, especialmente, a vida de uma paixão do seu passado. Protegê-los implica mergulhar no meio de uma guerra entrea CIA e a máfia japonesa, na qual as diferenças entre amigos e inimigos, a verdade ou a mentira, são tão obscuras como as ruas regadas pelas chuvas nocturnas de Tóquio. Será que Rain tem a frieza necessária para derrotar um inimigo que parece pensar como ele?
 
Opinião:

No seguimento de "Tokyo Killer" e da expectativa que me gerou relativa à possibilidade de evolução desta série e tendo terminado a leitura de "O Quinto Mandamento" fica aqui a resposta.
 
Não, não evoluiu... o estilo Hollywoodesco mantém-se, assim sendo não é defeito é feitio. O defeito esse é meu por esperar melhor.
 
John Rain supostamente é um assassino especialista em matar pessoas fazendo com que o acto pareça um acidente em vez de crime. Ao fim de dois livros lidos, não posso deixar de afirmar que John Rain é um incompetente, pois consegue mais uma vez, deixar as ruas de Tokyo preenchidas com alguns cadáveres, que de maneira nenhuma parecerão ter sofrido um acidente. Tirando o primeiro assassínio que comete neste livro, que sim poderá parecer acidental, os restantes não parecem mais do que ajustes de contas entre gangues rivais. Para além disso, Rain tem três regraspelo qual rege a sua profissão, neste livro pelo menos não as cumpre.
 
No final do livro levanta-se-me uma nova questão. O que será John Rain para o autor? Um herói, um anti-herói ou um vilão? Quando comecei a ler a série pensei que seria um anti-herói, mas de momento já tenho muitas dúvidas. Rain mata indiscriminadamente pessoas sem as conhecer minimamente, se alguém o persegue na rua ou o desafia mata ou fere impiedosamente apenas com o objectivo de marcar posição. As descrições aprofundadas das lutas e dessas mortes começaram a incomodar-me, não pela descrição mas sim pelo motivo. Parece aqueles filmes que morre gente por morrer, com o único propósito que é.. o que as audiências gostam.
 
O enredo não é nada do outro mundo, é por vezes confuso, mas nem me preocupei em voltar atrás para o perceber melhor de tão indiferente que se torna.
 
No fim é uma obra de leitura fácil, tipo filme de acção para agradar às massas mas que no fim não marca nem deixa saudades. É um livro que na sua leitura vai agradando na generalidade, mas que desagrada nos pormenores.
 
A série já leva 8 livros publicados sendo que em Portugal a Saída de Emergência publicou 3 e duvido que publique mais.
Se no livro anterior fiquei na expectativa relativamente ao seguinte, neste não fiquei. Irei ler o próximo, um dia, porque já o comprei e se já não o tivesse feito não o faria.
 
Nota (escala 1 a 10): 5
TheKhan

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

As Filhas do Graal


















Autor: Elizabeth Chadwick
Editora: Saída de Emergência
Chancela: Chá das Cinco 
Nº Páginas: 384
ISBN: 9789898032430

Sinopse:
As mulheres descendentes de Maria Madalena possuem dons místicos que ameaçam os poderes estabelecidos. E agora a Igreja quer acabar com eles...
França, século XIII: Bridget cresceu aprendendo a controlar os dons místicos da sua antepassada Maria Madalena, cuja ininterrupta linhagem feminina manteve vivo um legado de sabedoria durante milénios. Mas agora, a todo-poderosa Igreja Católica jurou destruir Bridget por usar os seus talentos curativos e as suas habilidades naturais. O dever de Bridget de continuar a linhagem leva-a até aos braços de Raoul de Montvallant, um católico. E quando a intolerância selvagem da Igreja leva Raoul a rebelar-se, a intolerância cresce para uma ânsia de vingança que só poderá ser saciada com uma cruzada de sangue.

Opinião:
As Filhas do Graal começa por contar a história de Raoul de Montvallant, um católico tolerante, e de Claire, sua mulher. Ambos são jovens e amam-se. A vida deste casal muda quando a igreja católica resolve perseguir e matar os hereges dos cátaros. Bridget, é descendente directa de Maria Madalena, possuiu o dom de cura entre outros dons, e por isso também é perseguida. Os caminhos entre Bridget e Raoul cruzam-se, e Bridget escolhe Raoul, que é um homem bom, para ser pai da sua filha e manter ininterrupta a sua descendência feminina. Começa assim, uma história, que no início parecia apenas uma história romântica, mas que se revela num relato histórico da intolerância religiosa vivida no século XIII, através da perseguição aos cátaros e a todos que ameaçavam o estilo de vida do clero.

Elizabeth Chadwick tem uma escrita simples, mas envolvente, consegue misturar elementos históricos e de ficção de uma forma magnífica. Com a medida certa de descrições nada maçadoras dos acontecimentos, de batalhas e estratégias, e até de alguma violência física e psicológica que me surpreendeu, a autora cria um ambiente para uma história cativante e viciante.

A autora centra-se nas suas personagens e nos seus problemas, criando assim personagens fortes e com características individuais marcantes, com quem facilmente criámos laços de proximidade, e com quem nos envolvemos, vivendo as suas alegrias, dores e perdas. Assim, como existem outras personagens que nos despertam aversão e ódio. E é sempre muito bom sinal quando somos envolvidos nas histórias que lemos.

O enredo deste livro decorre durante quase 40 anos, começando com as personagens Raoul, Claire, Bridget e Simon de Montfort, e acaba com os filhos destes. As vidas de Magda, Dominic e Guillaume estão ligadas, e estão destinados a lutar juntos contra o mal instalado no mundo. Adorei a forma como Elizabeth Chadwick faz passar a resposta para o fim da intolerância, do ódio e da violência, através do amor que nasceu entre Magda e Dominic, um filho do bem e outro do mal,  e que se reflectirmos bem, ainda continua a ser a mesma resposta nos dias de hoje, o Amor.

É um livro com uma boa história, baseado em factos verídicos, com personagens fascinantes, com um pouco de magia e fantasia, que me marcou imenso. Confesso que no início da leitura, pensei que ia ser um livro um pouco aborrecido, mas fui surpreendida, envolvida e convencida. É uma pena que a Editora não aposte mais nesta autora. Gostei imenso deste livro, e posso afirmar que é o melhor que li de Elizabeth Chadwick. Adorei.

Nota (escala de 1 a 10): 8
IrishGirl